Gabriela De Carvalho Maurus

Eleições 2026 e o Seu Imóvel: Antecipar a Compra ou Esperar Outubro?

Outubro de 2026 está no horizonte. E com ele, uma das perguntas que mais aparecem nas conversas sobre imóvel neste momento: "Vale a pena comprar agora ou é melhor esperar as eleições passarem?"


A pergunta é legítima. Uma pesquisa da Loft com a Offerwise, divulgada em abril de 2026, mostrou que 35% dos brasileiros planejam antecipar ou adiar uma decisão de compra ou aluguel por causa da disputa eleitoral. Um em cada três. Isso é muito gente tomando decisão baseada no calendário político — e não necessariamente no que os dados mostram.

Então vamos aos dados.


O que a história nos ensina sobre imóveis em anos eleitorais

Olhando para os últimos ciclos eleitorais brasileiros, um padrão interessante emerge — e ele vai contra o que a maioria das pessoas intuitivamente acredita.

Em 2018, ano de eleição com alto grau de incerteza e polarização, o mercado imobiliário registrou crescimento. Em 2022, outro pleito extremamente disputado, o setor encerrou o ano como o segundo melhor desde 2014, com vendas sólidas mesmo diante de Selic alta, guerra na Ucrânia e inflação global.

A conclusão de especialistas é direta: não existe correlação consistente entre ano eleitoral e queda no preço de imóveis. O que manda são os fundamentos — taxa de juros, oferta, demanda local e disponibilidade de crédito. Eleição, por si só, não derruba preço de imóvel no Brasil.

O que ela faz, sim, é criar uma percepção de incerteza que leva parte do mercado a pausar. E essa pausa cria algo muito interessante para quem está do outro lado da mesa.


O lado que ninguém conta: eleição aquece a negociação

Quando uma parcela dos compradores sai de cena esperando o resultado das urnas, a pressão sobre os preços diminui — em teoria. Mas o que acontece na prática é diferente: os vendedores que precisam vender ficam mais flexíveis.

Quem está com imóvel anunciado há meses em um mercado com parte dos compradores em modo de espera tende a negociar mais. Isso significa que o comprador que age agora, enquanto outros esperam, pode encontrar condições melhores de negociação — desconto no valor, inclusão de mobília, flexibilidade na entrada.

O mercado não para em ano eleitoral. Ele só fica menos disputado por alguns meses. Para quem está preparado, isso é vantagem competitiva.


Mas e o risco real? O que pode mudar depois de outubro?

A pergunta honesta que todo comprador deveria fazer não é "e se der errado nas eleições?". É: "o que especificamente eu acho que vai piorar — e qual a probabilidade real disso acontecer?"

Alguns riscos concretos existem. Uma mudança de governo pode alterar as regras do Minha Casa Minha Vida, modificar a política de juros subsidiados ou impactar o ritmo de aprovações de crédito. Esses são cenários reais que merecem atenção.

Mas há dois pontos que colocam esses riscos em perspectiva:

Primeiro: os fundamentos do mercado imobiliário em 2026 são sólidos. O déficit habitacional brasileiro é de mais de 8 milhões de unidades. Isso não muda com nenhuma eleição. A demanda estrutural por moradia não desaparece dependendo de quem ganhar.

Segundo: os preços de imóveis subiram 6,52% em 2025 e a tendência para 2026 é de continuidade. Cada mês de espera, na média histórica, é um mês em que o imóvel que você quer está um pouco mais caro. A economia gerada por "esperar a eleição" pode ser consumida inteiramente pela valorização do período.


O perfil de quem deve antecipar — e de quem pode esperar

Nem toda situação é igual. Aqui vai uma leitura honesta:

Faz sentido agir antes das eleições se:

Você já tem entrada disponível, renda estável e documentação em ordem. Seu financiamento já está pré-aprovado ou você tem condições de obtê-lo agora. O imóvel que você quer está disponível no mercado hoje, e você corre o risco de perdê-lo para outro comprador. Você está pagando aluguel — cada mês que passa é dinheiro que não constrói patrimônio.

Pode fazer sentido esperar se:

Sua situação financeira ainda não está consolidada e você precisaria de mais alguns meses para organizar a entrada. Você ainda não encontrou o imóvel certo e está no início da busca. Você está em uma região com mercado muito específico e quer entender como o resultado eleitoral pode impactar políticas locais.

A regra de ouro: espere o momento certo para você, não o momento certo do calendário político.


O que os mais sofisticados estão fazendo agora

Há um dado da pesquisa que poucos destacam: entre os consumidores de classe A, 47% pretendem antecipar a compra antes das eleições. Enquanto a classe média hesita, quem tem mais informação e mais acesso a análise de mercado está agindo.

Isso não é coincidência. Quem entende de investimento sabe que o melhor momento para comprar um ativo é quando há hesitação no mercado — não quando todo mundo está comprando ao mesmo tempo e disputando os mesmos imóveis.

Eleição cria hesitação. Hesitação cria oportunidade.


E no mercado de Jundiaí, Vinhedo e Itupeva?

Nossa região está em uma posição particular nesse cenário. Com a migração crescente de São Paulo, a demanda aqui não é movida por política habitacional federal — ela é movida por qualidade de vida, custo de moradia comparativo e infraestrutura regional. Esses fatores não mudam com o resultado das urnas em outubro.

O que pode mudar: as condições de financiamento do MCMV para quem se enquadra no programa, e o ritmo de aprovações de crédito nos bancos públicos no pós-eleição. Para quem vai usar financiamento convencional ou tem recursos próprios, o impacto eleitoral local é praticamente nulo.

O mercado aqui vai continuar aquecido no segundo semestre, eleição ou não. A demanda reprimida é grande demais para ser freada por incerteza política de curto prazo.


A pergunta certa não é "quando comprar". É "você está pronto?"

No fim, a decisão de compra de um imóvel deveria ser guiada por três perguntas simples: Você tem a entrada? Sua renda suporta a parcela com folga? Você encontrou o imóvel certo?

Se as três respostas são sim, nenhuma eleição deveria ser o fator que te faz esperar.

Se alguma das respostas é não, use o tempo até outubro para organizar o que falta — não para esperar o resultado eleitoral, mas para chegar preparado quando o imóvel certo aparecer.

Quer entender como está sua capacidade de compra hoje e quais imóveis da região se encaixam no seu perfil? Nossa equipe faz essa análise sem custo e sem compromisso. Fale com a Maurus.

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